MEDITAÇÃO 18 A 25 DE JANEIRO 2010


18-01-2010

19 de Janeiro


Orar sempre e nunca esmorecer. (Lc 18.1.)


"Vai ter com a formiga." Tamerlane costumava contar aos amigos uma estória de sua mocidade. "Certa vez," dizia ele, "para escapar de inimigos, fui forçado a me esconder nas ruínas de um edifício, e passei ali sentado muitas horas. Desejando distrair a mente da triste situação em que me achava, fiquei olhando uma formiga que subia por uma parede, carregando um grão de trigo maior do que ela; contei todas as suas tentativas para alcançar o objetivo. O grãozinho caiu sessenta e nove vezes, mas o inseto perseverou, e, ao completar setenta vezes, alcançou o topo. Aquela cena me deu coragem no momento, e nunca esqueci a lição." — The King´s Business


A oração que toma como razão para desânimo o fato de orações passadas não terem sido respondidas, já deixou de ser a oração da fé. Para a oração da fé, a ausência de resposta é apenas evidência de que o momento da resposta está muito mais perto. De princípio a fim, as lições e os exemplos do Senhor nos ensinam: a oração que não persevera, não insiste no pedido e não se renova mais e mais, tomando forças de cada petição anterior, não é a oração que prevalece. — William Arthur


Certa vez o grande músico Rubenstein disse: "Se passo um dia sem praticar, eu noto a diferença; se passo dois dias, meus amigos notam a diferença; se passo três dias, o público nota a diferença." É como se costuma dizer: a perfeição vem da prática. Assim, pois, continuemos crendo, continuemos orando, continuemos a fazer a Sua vontade. Em qualquer ramo da arte, por exemplo, se alguém deixar de praticar, sabemos qual será o resultado. Se apenas usássemos em nossa vida religiosa o mesmo tipo de senso comum que usamos em nosso viver diário, caminharíamos para a perfeição.


Este era o moto de Davi Livingstone: "Eu resolvi nunca parar sem ter chegado ao fim e cumprido o meu propósito." Com firme persistência, e confiante em Deus, ele venceu.


 


20 de Janeiro


Melhore a mágoa do que o riso, porque com a tristeza do rosto se faz melhor o coração. (Ec 7.3.)


Quando a tristeza vem sob o poder da graça divina, ela tem um múltiplo ministério em nossa vida. A tristeza revela profundezas de nossa alma que não conhecíamos, bem como capacidades de experiência e serviço que ignorávamos. Pessoas fúteis, levianas, são sempre superficiais, e nunca têm a mais leve idéia das coisas mesquinhas que há em sua natureza. O sofrimento é o arado de Deus, que revolve as profundezas da alma para que ela possa produzir mais abundante colheita. Se não tivéssemos caído, em Adão, então a força normal para dilatar as capacidades da nossa alma seria a alegria divina. Mas num mundo decaído, o sofrimento (desprovido, porém, do desespero) é o instrumento escolhido por Deus para nos revelar aos nossos próprios olhos. Assim, é a dor que nos faz pensar profunda, longa e sobriamente.


O sofrimento nos faz andar mais devagar e com mais consideração pelos outros, e leva-nos a pesar os nossos motivos e atitudes. O sofrimento é que abre os nossos olhos para as potencialidades da vida espiritual que Deus pôs em nós. É o sofrimento que nos faz dispostos a usar toda a nossa capacidade em servir a Deus e ao próximo.


Imaginemos um grupo de pessoas indolentes, vivendo ao pé de uma cadeia de montanhas, sem nunca se aventurarem a explorar os seus vales e reentrâncias; um belo dia, uma tempestade violenta bate contra aqueles montes e rasga as suas gargantas, pondo à mostra os recessos ocultos dos vales. Então os habitantes do sopé dos montes se maravilham ante os segredos inexplorados de uma região tão próxima e contudo tão desconhecida.


Assim acontece com muitas almas que vivem indolentemente na periferia de sua própria nature­za, Até que grandes tempestades de sofrimento vêm revelar profundezas escondidas, de seu ser, que até então nem supunham existir. Ninguém é grandemente usado por Deus, sem antes ser quebrado. José sofreu mais que qualquer outro filho de Jacó. E isto o levou à tarefa de dar suprimento para todas as nações. Por esta razão o Espírito Santo disse a respeito dele: "José é um ramo frutífero... junto à fonte; seus galhos se estendem sobre o muro" (Gn


49:22). É o sofrimento que faz dilatar a alma. — The Heavenly Life


 


Eu vi o arado sulcando a terra,


E meditei:


 


A minha vida é como um campo


Sob o olhar do Senhor;


 


Onde irá crescer


O precioso grão?


Onde, a fé?


Onde, o amor?


A compreensão?


No sulco aberto pela dor.


 


Cada pessoa e cada nação tem que aprender na escola da adversidade, na escola de Deus. "Podemos dizer: 'Bendita é a noite, pois nos faz ver as estrelas'. Do mesmo modo podemos dizer: 'Bendito é o sofrimento, pois nos faz ver as consolações de Deus'.


As enchentes levaram-lhe a casa e o moinho, tudo o que o pobre homem possuía na vida. Mas enquanto contemplava a cena de sua miséria depois de baixadas as águas, com o coração partido e desanimado, ele viu alguma coisa brilhando nos barrancos desnudados pelas águas. 'Parece ouro', disse. E era ouro. A enchente que o havia deixado pobre o fazia rico. Assim acontece muitas vezes na vida." — H. C. Trumbull


 


21 de Janeiro


Em nada considero a vida preciosa para mim mesmo. (At 20.24.)


Lemos no livro de Samuel que, quando Davi foi ungido rei em Hebrom, "todos os fílisteus subiram em busca de Davi". No momento em que obtemos do Senhor qualquer coisa pela qual vale a pena lutar, já o adversário vem em nosso encalço.


Quando o inimigo nos vem de encontro no limiar de algum grande serviço para Deus, aceitemos isto como um "indício de salvação", e tomemos da parte de Deus bênção dobrada: vitória e poder. O poder se desenvolve pela resistência. O canhão atira mais longe porque o poder explosivo tem que vencer uma resistência. A eletricidade é produzida na usina distante, pela brusca fricção das turbinas em giro. E assim descobriremos um dia que até mesmo Satanás foi um dos agentes das bênçãos de Deus. — Days of Heaven upon Earth


A tribulação é o caminho do triunfo. O caminho que passa pelo vale conduz a uma vereda elevada. Em todas as coisas grandes, estão as marcas de tribulação. As coroas são preparadas em cadinhos. O caráter das pessoas que se encontram aos pés de Deus é forjado nos sofrimentos aqui da terra. Ninguém que nunca pisou os lagares da dor sabe o que é triunfar. Com profundos sulcos de angústia cavados em sua fronte o "Homem de Dores" disse: "No mundo passais por aflições" — mas depois disto vem a confortadora promessa: "tende bom ânimo, eu venci o mundo". As pegadas da dor se vêem por toda parte. Nos degraus que levam aos tronos vemos marcas de sangue. As cicatrizes são o preço dos cetros. As nossas coroas serão arrancadas às mãos dos gigantes que conquistarmos. Não é segredo que o sofrimento sempre foi a porção dos grandes.


A tribulação tem sido a marca no caminho de todos os grandes reformadores. É a história de Paulo, de Lutero, Savonarola, Knox, Wesley e todos os outros soldados do poderoso exército. Eles alcançaram o poder, através de grande tribulação.


Os grandes livros têm sido escritos com o sangue do autor. Quem foi o incomparável poeta dos gregos? Homero. Mas o grande cantor era cego. Quem escreveu o imortal "O Peregrino"? Um príncipe vestido de púrpura, reclinado em deliciosos coxins?! Não! os halos fulgurantes daquela visão douraram as paredes escuras da velha prisão de Bedford, onde João Bunyan, o nobre prisioneiro, o glorioso gênio, transcrevia fielmente a cena.


 


22 de Janeiro


Para um lugar deserto, à parte. (Mt 14.23.)


"Na pausa não há música, mas a pausa ajuda a fazer a musica." Na melodia da nossa vida a música é interrompida aqui e ali por "pausas", e nós, sem refletir, pensamos que a melodia terminou. Deus nos envia um tempo de parada forçada, de enfermidade de planos fracassados, de esforços frustrados, e faz uma pausa repentina no coral de nossa vida. E nós lamentamos que a nossa voz tinha de calar-se, e tenha de faltar a nossa parte na música que sobe constante aos ouvidos do Criador. Mas, como é que o maestro lê a pausa? Ele continua a marcar o compasso com a mesma precisão e toma a nota seguinte com firmeza, como se não tivesse havido interrupção alguma.


Deus segue um plano ao escrever a música de nossas vidas. A nossa parte deve ser aprender a melodia, e não desmaiar nas pausas". Elas não estão ali para serem passadas por alto ou serem omitidas, nem para atrapalhar a melodia ou alterar o tom. Se olharmos para cima, Deus mesmo marcará o compasso para nós. Com os olhos nEle, vamos ferir a próxima nota com toda a clareza murmurarmos tristemente: "Na pausa não há música", não nos esqueçamos, contudo, de que "ela ajuda a fazer a música". Comporá música da nossa vida é geralmente um processo lento e trabalhoso. Com paciência Deus trabalha para nos ensinar! E quanto tempo Ele espera até que aprendamos a lição! — Ruskin


 


Chamado à parte, pra ficar parado.


Pausa,


Silêncio em minha atividade.


Quanta coisa parada, que entendia


Encaminhar, fazer e realizar.


Chamado à parte?


Para estar a sós


Com meu Senhor.


 


Chamado à parte.


A um lugar deserto.


Ninguém afim para me ouvir as queixas,


Para entender, para simpatizar.


E a dor, a incompreensão, dúvidas, sombras,...


Chamado à parte?


Pra falar a sós


Com meu Senhor.


 


Chamado à parte.


A uma longa espera.


Parece às vezes que não passa o tempo.


Teria pressa! a noite se aproxima!


Tanta necessidade... e nada posso.


Chamado à parte?


Para andar a sós


Com meu Senhor.


 


Chamado à parte, para estar com Ele,


Privar com Ele, andar no passo dEle.


Que importa se outras coisas não são feitas ?


Das muitas coisas, uma é necessária.


Chamado à parte?


Para conhecê-lO


O meu Senhor.


 


23 de Janeiro


Por que te conservas longe, Senhor? (Sl 10.1.)


Deus é "socorro bem presente na angústia". Mas Ele permite que as tribulações nos alcancem, como se estivesse indiferente à sua pressão perturbadora, para que cheguemos ao fim de nossas própri­as forças e descubramos o tesouro escondido, o imenso lucro da tribulação. Podemos estar seguros de que Aquele que permite o sofrimento está conosco na dor. Pode ser que só O vejamos quando a aflição já estiver passando, mas precisamos atrever-nos a crer que Ele nunca sai de perto do crisol.


Nossos olhos estão vendados e não podemos ver Aquele a quem amamos. Está escuro — as vendas nos cegam, de forma que não podemos enxergar a figura do Sumo Sacerdote: mas Ele está ali, profundamente compadecido. Não consideremos os nossos sentimentos, mas a Sua imutável fidelidade; e embora não O vejamos, falemos com Ele. Assim que começamos a conversar com Jesus, crendo na Sua real presença, embora nos esteja velada, vem-nos em resposta a Sua voz — que nos prova que Ele está ali, no meio da sombra, velando sobre o que é Seu. O Pai está tão perto quando passamos pelo túnel, como quando caminhamos sob o céu aberto.


 


Comigo estás, Senhor.


Embora eu não Te veja,


Sei muito bem que Tu comigo estás.


 


Segura forte a minha mão na dor;


Cerca o meu coração com Teu amor;


Ergue a minha alma, e que ela firme esteja.


 


Repouso em Ti, Senhor.


Comigo estás.


 


24 de Janeiro


Mas a pomba, não achando onde pousar o pé, tornou a ele... À tarde ela voltou a ele; trazia no bico uma folha nova de oliveira. (Gn 8.9-11.)


Deus sabe exatamente quando nos deve negar qualquer sinal de encorajamento e quando nos deve dar algum. Como é bom saber que sempre podemos confiar nEle! Quando nos são tiradas todas as evidencias de que Ele Se lembra de nós, tanto melhor. A Sua Palavra e as Suas promessas são muito mais sólidas e de confiança do que qualquer evidência fornecida pelos sentimentos, e o Senhor quer que aprendamos isso. Quando Ele nos dá as evidências, muito bem; mas saberemos apreciá-las melhor depois de termos confiado sem elas. Os que estão prontos a confiar em Deus sem outra evidência senão a Sua Palavra, sempre recebem o maior número de evidências da parte do Seu amor. — C. G. Trumbull


 


Meu Deus,


Que bom saber que existes;


Que estás aí; que és sempre o mesmo.


Saber que tudo sabes;


Que és amor;


E saber que o meu tempo e os meus dias


Estão nas Tuas mãos.


Que bom, meu Deus.


 


Senhor,


Que bom que me alcançaste


Mediante a cruz.


Que bom que posso ver-Te;


Chegar-me como sou e como estou;


Falar contigo; Ouvir-Te.


Que bom, Senhor.


 


Meu Pai,


Que bom ter a Palavra;


Saber que é viva como Tu és vivo;


E ter em mim o Espírito da graça


Que a ilumina pra mim


E a torna vida em mim.


Meu Pai, que bom.


 


A demora de Deus não é uma recusa; muitas orações são registradas na Sua presença, tendo ao lado as palavras: "Ainda não é chegada a minha hora". Deus tem um tempo aprazado e também um propósito estabelecido. Aquele que traça os limites da nossa habitação ordena também o tempo do nosso livramento.


Deus não tarda,


Crê, somente.


 A seu tempo


Fará tudo,


Prontamente.


 


25 de Janeiro


A tua vara e o teu cajado me consolam. (Sl 23.4.)


Na casa de meu pai, na fazenda, há um pequeno armário junto à lareira, onde estão guardados os bordões e bengalas de várias gerações de nossa família. Em minhas visitas à velha casa, quando meu pai e eu vamos sair para uma caminhada, muitas vezes abrimos aquele armário e tiramos dali o bastão que mais nos convém para o passeio. Isso muitas vezes me faz lembrar que a Palavra de Deus é um bordão.


Durante a guerra, quando pairava sobre nós o desânimo e uma constante ameaça de perigo, o verso "Não se atemorizam de más notícias; o seu coração é firme, confiante no Senhor" (Sl 112.7) serviu-me de bordão para atravessar muitos dias escuros.


Quando a morte levou nosso filho e deixou-nos quase despeda­çados, encontrei outro bordão, na promessa de que "o choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã".


Quando fiquei separado dos meus por um ano por causa de minha saúde, sem saber quando me seria permitido voltar para casa e trabalhar novamente, levei comigo este bordão que nunca falhou: "Eu é que sei que pensamentos tenho a vosso respeito, diz o Senhor; pensamentos de paz, e não de mal".


Em tempos de maior perigo ou dúvida, quando todos os juízos humanos pareciam não ter nenhum valor, foi suave avançar com este bordão: "No sossego e na confiança estaria a vossa força". E nas emergências, quando parecia não haver tempo para tomar uma deliberação ou mesmo para agir, este bordão nunca me falhou: "Aquele que crer, não se apresse". — Benjamin V. Abbott em The Outlook


"Eu nunca teria compreendido", disse a esposa de Martinho Lutero, "o que significavam certas palavras de alguns salmos, as expressões de angústia de espírito, jamais entenderia a prática dos deveres cristãos, se Deus não me tivesse dado aflições." De fato, a vara de Deus é como o ponteiro do professor, que aponta a letra para que o aluno possa acompanhá-la melhor; com ela Ele nos aponta muitas lições boas que de outra forma não aprenderíamos. — Selecionado


 


Deus sempre envia, com a Sua vara, o Seu cajado.


 


"O ferro e o metal será o teu calçado, e a tua força será como os teus dias." (Dt 33.25.)


Podemos estar certos de que, se Deus nos envia por terrenos pedregosos, Ele nos prove de sapatos fortes; e não nos mandará a nenhuma caminhada sem nos equipar convenientemente para ela. — Maclaren


Leia também...

Não achou o que procurava? Então veja toda a lista!